Silvana Vioto – Presidente do Siemaco Presidente Prudente

Seja sindicato ou empresa, Silvana é a prova de que justiça social se faz em qualquer lado da balança.

Das voltas que o mundo dá, parece que algumas coisas estão inevitavelmente predestinadas a acontecer. Esse é o caso da história de Silvana Vioto, presidente do SIEMACO Presidente Prudente e representante do importante papel das mulheres em cargos de liderança no sindicalismo. Uma história construída através do altruísmo e da percepção, conquistada entre idas e vindas a várias regiões do Brasil.

Para entender o perfil sindical dessa liderança, precisamos voltar ao passado. Nascida num sítio em Indiana, pequena cidade de cinco mil habitantes na região metropolitana de Presidente Prudente, a 550 quilômetros da capital, Silvana tinha uma vida pacata na juventude. Aluna dedicada, em 1988, aos 17 anos, foi incentivada pelos seus professores do Ensino Médio a buscar novos desafios fora do clima bucólico interiorano que vivia. “Sempre me destaquei na escola. E um professor de Física me ofereceu trabalho na empresa em que ele era funcionário, em Presidente Prudente. Eu não sabia nem ir pra lá, nunca tinha saído de Indiana”.

No trabalho, ficou um ano e seis meses, mas percebeu que a empresa não respeitava seus direitos e pediu demissão. “Entrei no setor de cadastro e setor financeiro, trabalhando cheia de responsabilidades, sozinha, só tinha o domingo de folga. Foi aí que comecei a entender meus direitos e me indignar com algumas condutas patronais”. Ao sair da empresa, foi buscar novos rumos para o seu futuro. “Fui parar em Campo Grande (MS), em 1989, chamada para tentar a vida na capital sul mato grossense por um colega de escola que era policial concursado lá. Consegui emprego numa faculdade da região”.

Mudança de vida

Novamente, as condições de trabalho mudaram o rumo da vida de Silvana. Trabalhando dois períodos, manhã e noite, não sobrava tempo para estudar. “Pedi demissão, por não ter condições. No intervalo da tarde eu não conseguia estudar e fazer nada”.

E Silvana foi ficando em Campo Grande. Aos 29 anos, acabou não cursando a faculdade que queria, se casou e teve um filho. Logo após, mudou-se para Curitiba, acompanhando o então marido, que havia passado num concurso na capital paranaense. Lá, teve mais um filho e, em 1999, após uma separação, resolveu voltar para sua terra natal, Indiana. Foi aí que tudo se encaixou: a volta ao reduto a acordou para sua verdadeira vocação, o sindicalismo e a representação laboral. “Passei num concurso para o IBGE e participei do Censo de 2000. Esse curto trabalho, de apenas 40 dias, me deu um parâmetro maior da vida das pessoas, me fez entender vários aspectos da nossa população e me fez querer buscar algo diferente para a minha vida”.

Em 2001, Silvana entrou para o serviço de escritório da empresa Organização Morena, onde teve contato com cartão de ponto, direitos, revisão de holerite e todos os aspectos do departamento de Recursos Humanos. “A empresa sempre brincava comigo, perguntava se eu trabalhava para eles ou para o empregado. Eu corrigia tudo para dar os direitos ao trabalhador”.

Em 2003, Silvana virou supervisora, aflorando ainda mais seu lado sindical e de respeito aos direitos trabalhistas. “Não houve uma reclamação trabalhista sequer entre 2003 e 2011, tempo que fiquei na empresa. Eu era muito correta com o trabalhador. Seguia a convenção coletiva, fazia todas as correções necessárias, antes mesmo do funcionário receber seu pagamento ou rescisão eu já resolvia qualquer alteração. Questionava muito isso”.

Entrada do SIEMACO

Pela sua postura correta com os trabalhadores, principalmente nas homologações, em 2011 Silvana foi chamada para atuar no sindicato. “A Regina Guazzi, que presidia o SIEMACO Presidente Prudente, me convidou. Todo esse tempo que eu estava na diretoria do sindicato e na empresa, mas ela queria que uma mulher a substituísse e queria mais mulheres no movimento sindical”.

No final de 2011, Silvana estava com estafa, não tirava férias. “Eu não queria deixar o cargo na empresa para outra pessoa, achava importante demais para que qualquer pessoa assumisse, sob o risco de tomar decisões que prejudicasse os funcionários. Foi quando falei com o sindicato e fui convidada para assumir um cargo de vice-presidente do SIEMACO Presidente Prudente”.

A intenção de Regina era treinar Silvana para entrar no lugar dela. “Tudo que eu aprendi de movimento sindical eu devo a ela”. Regina era a única mulher na liderança de um movimento sindical na década de 1990, considerada uma voz da resistência feminina na região onde atuava. Ao final de 2018, a então presidente se afastou, mudando-se para Navegantes, cidade litorânea de Santa Catarina.

Silvana para presidente!

Em abril de 2020, Silvana assume como presidente do SIEMACO Presidente Prudente. Junto ao seu mandato, mais um desafio bate à porta: a pandemia que assolou (e ainda assola) o mundo. “No ano de 2020 nossa luta iniciando a Presidência foi muito difícil. Juntou pandemia e Reforma Trabalhista. Desde o inicio, quando entrei, sempre busquei a modernização do sindicato. A gente está investindo na comunicação, nas redes sociais, na implantação de sistemas para ajudar o trabalhador, atendimento por Whatsapp, atualização do site etc. São 70 cidades, muitas delas bem pequenas, nossa categoria, com 2500 trabalhadores e trabalhadoras representados, está muito pulverizada, por isso precisamos investir em formas dinâmicas de falar com toda a base, mesmo que não presencialmente”.

Mas Silvana enaltece que uma parceria foi essencial para toda essa modernização, o Instituto Arlindo Gusmão de Fontes (IAGF). “Esses sorteios que promovemos, que ajudam muito na promoção do sindicato, só foram possíveis através do Instituto. Se não fosse essa parceria, eu jamais conseguiria fazer essas implantações”.

Outro exemplo vem de uma mulher sindicalista, a presidente do SIEMACO Piracicaba, Renata Souza. “Muitas coisas que fazemos, nos baseamos na maneira de Piracicaba trabalhar. Uso a Renata como exemplo, falo com ela para tirar dúvidas. Ela quem me ajuda mais. Bons exemplos devem ser copiados”.

“Não empurro empresa fora de sindicato, a visão da gente é parceria. A gente pensa no que for melhor para o trabalhador e para a trabalhadora, mas mantendo o diálogo”

Silvana Vioto

“Não empurro empresa fora de sindicato, a visão da gente é parceria. A gente pensa no que for melhor para o trabalhador e para a trabalhadora, mas mantendo o diálogo”

Silvana Vioto