André Santos Filho – Presidente do Siemaco São Paulo

A liderança sindical do SIEMACO-SP que veio da base e viu o esporte mudar sua vida

O futebol perdeu um meio-campo promissor, mas o sindicalismo ganhou uma referência. Assim podemos apontar a linha do tempo de André Santos Filho, presidente do SIEMACO São Paulo e vice-presidente da FEMACO.

Para explicar melhor essa história, é preciso entender a origem de André. Nascido e criado na Parada Inglesa, bairro da região do Tucuruvi, Zona Norte da capital, desde criança viveu duas grandes paixões nacionais, o samba e o futebol. “Aos 12 anos eu já frequentava a X9 Paulistana, escola de samba que nasceu no meu bairro. Estava sempre no barracão deles, uma influência do meu tio, que foi o primeiro vice-presidente de lá”.

E nas ruas da Parada Inglesa, entre as idas à escola e ao samba, surgiu outra paixão, o futebol. André era um peladeiro nato, vivia entre fugir das caneladas dos adversários e marcar gols, quando sua habilidade o levou a competir profissionalmente. Foi mais de uma década nas quatro linhas, fazendo carreira no esporte. Até que um jogo realizado em dezembro de 1989, quando tinha 27 anos, mudou sua vida para sempre. Jogando pelo Capivariano contra o Paulista de Jundiaí, André torceu o joelho e, após uma cirurgia, deixou os gramados profissionalmente. “Eu estava cansado, o joelho doía muito. Não tínhamos os mesmos recursos de hoje em dia, então resolvi parar”.

Do futebol ao sindicalismo

Mas foi dessa decisão que sua vida começou a mudar de rumo. O esporte abriu as portas para André ingressar na faculdade de Administração de Empresas, como bolsista na Universidade Santana, em 1990. “Tem coisas que parecem que estão predestinadas a acontecer. Um problema no joelho me tirou dos campos e me levou à universidade. Onde um amigo, que trabalhava numa empresa de serviços chamada Arclan, me indicou pro administrativo”.

E foi lá que finalmente André conheceu o SIEMACO São Paulo. “Eu via o trabalho de base e achava extremamente importante a representação sindical. Me senti na obrigação de ajudar a fazer a diferença na vida da categoria. Quando tá no sangue, parece que o sindicalismo predomina”.

Na época, André viu várias injustiças trabalhistas e começou a se indignar. “A empresa forçava os trabalhadores a pedir demissão, não deixava passar da experiência para não pagar todos os direitos trabalhistas”, disse. E foi conversando com o SIEMACO sobre isso, que convidaram André para trabalhar e jogar pelo time do sindicato. “Entrei como assessor de base. Lembro muito bem do dia: 02 maio de 1990. Foi o meu primeiro dia de trabalho como sindicalista”.

Após uma passagem pela assessoria de base, André se destacou no setor e logo entrou para o Departamento Técnico responsável por acompanhar as licitações de serviços terceirizados. “Com a criação da Lei 8.666, de 1993, que institui normas para licitações e contratos da Administração Pública, começamos a acompanhá-la, pois influenciava diretamente nas contratações da nossa categoria. Naquela época, o sindicato já se preocupava com a qualidade técnica dos seus funcionários. O Moacyr era o presidente e me incubiu dessa tarefa. A gente até impugnava a licitação, quando via que tinha algum erro ou ilegalidade”.

Com seu serviço sendo reconhecido internamente e ganhando espaço dentro do SIEMACO, em 1994 André foi para a Secretaria, como encarregado do setor. Em seguida, engrenou no Departamento Jurídico, colocando em prática todo seu conhecimento em licitações. “Um setor apoia o outro e toda a experiência acumulada me fez entender cada detalhe do sindicato. Essas mudanças internas me ajudaram a entender os procedimentos sindicais a fundo”.

A nova fase: dirigente sindical

Em 1995, o sindicato terceirizou vários departamentos e André acabou indo para a iniciativa privada novamente, assumindo uma vaga no Departamento Pessoal da empresa Sanitec. Até que em 1996, Moacyr o convidou para voltar ao SIEMACO, dessa vez para como suplente na chapa que iria concorrer à eleição para a nova diretoria do sindicato. “Foi quando me tornei dirigente sindical de fato. Na eleição seguinte, entrei como Secretário Geral, depois Tesoureiro. E nessa época também entrei como dirigente na FEMACO, agregando mais experiência ao mandato sindical”.

Nesse meio tempo, o coração carnavalesco bateu forte também. André, sempre envolvido com a X9 Paulistana, assumiu a Presidência da escola de samba em 2013, cargo que ocupou até 2017. “O cargo de Tesoureiro no SIEMACO-SP e dirigente na FEMACO me tomavam muito tempo. Então eu tive que fazer uma escolha. Em 2017, resolvi que estava na hora de me dedicar totalmente às entidades sindicais e deixar outros projetos na gaveta”.

Presidência, o maior desafio

Com o foco totalmente voltado ao sindicalismo, parece que André estava se preparando para o que viria mais a frente. Em 2020, ele assume um grande desafio: a Presidência do maior sindicato de representação laboral da Limpeza Urbana da América Latina, o SIEMACO São Paulo. Com apoio da FEMACO, onde tornou-se vice-presidente, e do então presidente do sindicato, Moacyr Pereira,  André encabeça a chapa das eleições sindicais e vence o pleito, com maioria absoluta. “Foi um dos momentos mais importantes da minha vida. Passa um filme na nossa cabeça, com todo o esforço, comprometimento, trajetória desde a base, muita luta e força de vontade. E nada disso seria possível se tantas pessoas não acreditassem no trabalho que eu sempre fiz. A Presidência é uma vitória coletiva e a continuação de um projeto que vem dando certo há décadas: trabalho de base de verdade, com compromisso e dedicação, dando qualidade de vida para as categorias que representamos”.

Primeiras conquistas no início do mandato

Em suas primeiras negociações salariais, André já colheu bons frutos. Durante a pandemia, com uma das maiores crises econômicas já passadas no Brasil, conseguiu reajustes para o Asseio e evitou a demissão de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, com acordos específicos feitos com o SEAC (sindicato patronal do Asseio).

Sob sua gestão, o SIEMACO-SP também conquistou reajustes históricos na Limpeza Urbana, com alguns dos melhores resultados dos últimos anos para a categoria: 11,5% do Programa de Participação nos Resultados (PPR) 2021 para a Varrição da capital e 11% de reajuste na Campanha Salarial Limpeza Urbana 2021/2022.

Além das negociações, André deu continuidade à filosofia do Sindicato Cidadão dentro do SIEMACO São Paulo, com a implantação de três novas unidades de saúde do sindicato (Lapa, Santo Amaro e São Miguel Paulista), ampliando o horário de atendimento para os sábados e aumentando as especialidades atendidas pelas oito unidades médicas/odontológicas. “Não é uma conquista solitária, é fruto de anos de trabalho de toda a diretoria, da equipe de assessores, do nosso corpo de funcionários e, principalmente, de categorias que representamos e que nos apoiam sempre. Sem o trabalhador e a trabalhadora, nada disso faria sentido. Estamos aqui por eles e pra eles.”

“Quando tá no sangue, parece que o sindicalismo predomina. A luta pela nossa categoria é o que me move”.

André Santos Filho